Olivais Sul - O Bairro Jardim
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O Antigo Convento dos Arrábidos de São Cornélio

Informação detalhada sobre a história deste convento, cujo lugar deu origem ao Cemitério dos Olivais. 
Para além das suas intervenções na área do paisagismo nos Olivais Norte e Sul, o Arquiteto Gonçalo Ribeiro Telles participou ativamente na planificação do  desmantelamento do Convento e implementação do actual cemitério dos Olivais. 

A construção do convento de São Cornélio remonta ao século XVII, situando-se bem perto dos terrenos do atual Cemitério dos Olivais – Estrada de S. Cornélio - no qual, como é referido pela C.M.L., foram encontrados vestígios, ainda hoje, visíveis, do antigo cemitério e convento.
Instalaram-se na freguesia uma comunidade de frades arrábidos, do ramo da Ordem Franciscana, que aí fundou o Convento de S. Cornélio. Segundo se crê, a construção ocorreu no ano de 1674 e teria ocupado as Quintas da Nossa Senhora da Estrela e de S. João.
Teria sido um dos Conventos desta ordem construído “fora de portas” relativamente a Lisboa, o primeiro, construído em 1542, e que ainda hoje existe na Serra da Arrábida. Da sua existência muito se perdeu no tempo, mas encontramos ainda referência às suas afamadas romarias onde os fiéis ofereciam chifres de cera e prata, que penduravam nas paredes, em troca de proteção para o gado:
(...) O Convento de S. Cornélio situava-se a Sul da povoação, devendo-se a sua construção a João Borges de Morais, no local onde anteriormente existiu uma ermida dedicada a Nossa Senhora da Estrela – na quinta já referida – ou provavelmente seria dedicada aos dois santos, pois ambos os cultos são de tradição remota, cuja origem parece ser muito antiga. S. Cornélius era advogado contra as moléstias do gado. No dia que lhe era dedicado, efectuava-se uma concorrida romaria ao lugar. Era habitual, nessa ocasião, oferecerem-lhe os lavradores cornos de prata ou de cera, como pagamento de promessas(...)
A Capela do antigo Convento ainda ali se encontrava em 1833. (...) Estava colocada à frente da habitação, voltada para a rua estendida até ao Rossio (Rua Conselheiro Dias Ferreira), no começo da qual existiu, primitivamente, um largo com bancos, destinados aos viajantes. (...) Este pequeno templo não só alcançou grande prestígio e fama, denunciadas por animadas romarias locais, em que o povo oferecia, ao padroeiro cornos de cera. (...)
Em 1906 o espaço do cemitério é comprado pela Câmara Municipal de Lisboa e em 1959 é efetuado o anteprojeto de enquadramento paisagístico do cemitério pelo arquiteto Paisagista Gonçalo Ribeiro Telles. A evolução urbana da Cidade de Lisboa, e a requalificação do espaço envolvente ao Cemitério dos Olivais, tornou necessária a demolição das ruínas do antigo Convento de S. Cornélio do qual apenas restava parte da fachada principal, onde se destacava, pelo seu valor histórico, o Pórtico de entrada.
Sendo inviável pelo desenho urbano proposto a manutenção do Pórtico do Convento na sua localização original, o mesmo foi desmontado e guardado no interior do Cemitério.
Hoje em dia das Ruínas do Convento de São Cornélio, apenas é possível ver as fundações da capela e o triplo pórtico de alvenaria almofadada, ao gosto do século XVII. No triplo pórtico é perfeitamente visível as portas laterais preenchidas com panos de tijolo e a porta central sem lintel, já que era, de acordo com desenho da época, ocupada por um arco.

https://patrimoniocultural.cm-lisboa.pt/lxconventos/ficha.aspx?t=i&id=678 


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